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Estudante de letras e amante da escrita e da fala popular.

quinta-feira, 18 de abril de 2013





Querido Diário


Eu nem deveria começar desse jeito, pois diário é coisa de menina com lacinho de fita amarrado nos cabelos, munida de um estojinho com várias canetas coloridas e uma borracha com cheirinho de frutas. É mais ou menos assim a imagem que se estabeleceu no inconsciente coletivo, fruto de uma herança patriarcal dispensável. Contudo, se eu não escrevesse assim não seria eu, afinal, o que é coisa de homem e coisa de mulher nesse mundo de metamorfose onde os papéis sociais e as identidades estão sendo questionados?
Vivemos nas incertezas das relações humanas, já não nos contentamos com isto ou aquilo. Mas voltando as vacas magras, até porque eu não quero entrar na discussão de gênero, pois daria muito pano para a manga. A lembrança do tão cobiçado objeto é cada vez mais presente nos tempos atuais com o surgimento dos blogs. Essa ferramenta tornou-se uma espécie de diário virtual. Mas agora, ao invés de esconder os segredos, tudo é revelado, compartilhado com milhares de pessoas na tela de um computador! A intimidade do indivíduo exposta à coletividade de forma muito natural. Existem também aqueles blogs mais formais, usados de maneira profissional, como por exemplo, os blogs de notícias jornalísticas.
O diário sempre foi alvo da cobiça masculina, e roubar um diário de uma menina era um delito delicioso! Nos anos 80 (e lá vem a sessão nostalgia) era muito comum as meninas ganharem um diário que ia sendo incrementado com fotos de alguma paixão platônica ou dos astros da TV, cinema e da música. E não podiam faltar os papéis de bombons, coraçõezinhos, poesias, declarações de amor ditas em silêncio, tudo devidamente protegido por um cadeado e uma chave. Valia também registrar nas páginas secretas os momentos marcantes do tipo: a primeira paixonite aguda, o primeiro beijo, as transformações do corpo, as brigas com amigas, familiares e pretendentes.
Minha irmã tinha um diário e colocava quase tudo que foi citado anteriormente, e ainda inventava alguns elementos hieróglifos (que só ela sabia interpretar) para ninguém conseguir ler, realmente ela era diabólica nesse aspecto. Apesar disso, virava um anjo diante das fotos autocolantes dos Menudos, e quer algo mais anos 80 do que a febre, a histeria feminina por esse grupo musical?
Os homens também escreveram em diários, e eu não estou falando nenhuma mentira e nem enlouqueci de vez. Refiro-me aos grandes navegadores com os seus diários de bordo, anotando tudo o que de fato ocorria em suas viagens. Entretanto, em se tratando de diários sentimentais, tudo muda de figura. Qual o homem colocaria suas emoções, seus sentimentos em um diário? E pior, quem assumiria tal ato? Eu nunca escrevi em diário e sim em agendas, nunca pensei fazer de outra forma. Inconscientemente na minha cabeça esse objeto já pertencia ao mundo das mulheres. Seria como a história da cor rosa e da cor azul fixados no subconsciente coletivo. Alguém em algum momento disse que a cor rosa era para as meninas e a cor azul para os meninos, e saiu propagando essa maldita ideia sem levar em conta os gostos pessoais de cada pessoa.  O bebê é do sexo feminino? Vamos pintar o quarto de rosa e comprar o enxoval da mesma cor. E se for ao contrário? Pinta-se de azul e segue o mesmo padrão para as roupinhas. Nunca mergulhei meus sentimentos em diários, mas sempre tive um interesse em penetrar nesse universo tipicamente cor de rosa. Afinal, que mistério existe dentro desse objeto? Que confissões as mulheres lançam naquelas tão desejadas páginas?
No imaginário masculino, a presença do “guardião das mais profundas intimidades do sexo oposto” despertava muita curiosidade e um desejo quase incontrolável de desvendá-lo. Qual o garoto que nunca pensou em roubar um diário? E existem aqueles que até conseguiram tal façanha, mas provavelmente arcaram com a fúria assassina das donas do objeto! Quanto a mim, não posso dizer se pratiquei esse ato, pois certas coisas se mantém enterradas na memória.  Vire e mexe as novelas trazem de volta os diários pessoais, e sempre com a imagem de uma personagem romântica ou passional. Foi assim com a tal Helena da novela Por Amor (1997) do escritor Manoel Carlos (aquele bairrista que acha o Leblon o supra-sumo do bom gosto, a fina flor dos bairros residenciais).
  Vivida por Regina Duarte, a personagem escrevia em um diário os acontecimentos de sua vida, dramas e decepções estavam ali naquele caderninho, inclusive o grande segredo, a confissão de uma “transgressão” cometida no passado, e só revelada no final do folhetim.  A imagem de uma mulher madura escrevendo em diário em plena era digital é no mínimo “pitoresca”.  E aqui pra nós, quem em sã consciência deixa escrito algo que o compromete?  Seria mais fácil não deixar pistas, não escrever nada, ficando no silêncio, porém, isso é novela e tudo gira na base do ficcional, do surreal, do faz de conta. É a camuflagem da vida como ela realmente é.
Tem também a personagem Alice Passos (Juliane Araújo) da novela Lado a Lado (2012) escrita por Claudia Lage e João Ximenes Braga. Pelo menos Alice está inserida em um contexto social e histórico propício a escrever em diários, pois o folhetim se passa no início do século XX, período pós-escravista onde os valores da sociedade eram outros. Nesse cenário habitavam mulheres românticas, sonhadoras e querendo subir ao altar, ou seja, casar-se. E como elas não podiam demonstrar os sentimentos e nem serem atiradas, restava guardar as emoções e confissões dentro do diário. Hoje os tempos são outros, a tecnologia permitiu mudar o nosso comportamento e nosso olhar diante das coisas. Agora vivemos em comunidades virtuais e ficamos cada vez mais sozinhos dentro de nossas casas. Tudo é virtual e efêmero, desde emoções a atitudes.
Não estou aqui decretando a morte dos diários sentimentais como decretaram algum dia a tal da “morte do autor”, é claro que ainda existem pessoas utilizando-os, porém em menor número, pois o surgimento do blog proporcionou outras possibilidades. É impressionante ver anônimos virarem escritores, hoje todo mundo escreve, até Bruna Surfistinha!  A garota de programa ficou famosa ao relatar em seu blog suas experiências sexuais com seus clientes. Depois dela, muitas garotas e garotos de programas se lançaram nessa empreitada, divulgando uma “literatura michê” recheada de narrativas eróticas.  Enfim, atualmente os diários sentimentais são abertos, eu diria mais, são escancarados para quem quiser, ao alcance dos olhos, bem na tela de um computador. Perdeu-se a áurea de mistério do objeto, seu encantamento foi desfeito.
Não se imagina mais roubar diários, não se criam símbolos ou hieróglifos para proteção do conteúdo escrito, não se preserva a intimidade e pior, não se permite sonhar dentro desse universo, e nem tão pouco escreve-se coisas inocentes. O desabafar não é mais solitário, é compartilhado e julgado. O “querido diário” talvez não seja mais querido, seja chatioso diário ou odioso diário, um lugar que não cabe mais confidências.


Texto em homenagem a minha amiga poeta Jancleide Goes

Reinaldo Souza                                 17/04/2013






Fogueira das Vaidades

E lá está ela...
Voraz!
Consumindo
Devorando os pensamentos.
Retirando o pouco de lucidez que ainda me resta.
Ela me conduz ao precipício....
Ah! O meu ego inflamado
Deixa tudo girando ao meu redor
Essa moça sem juízo entrou sem pedir licença
Espalhou-se pela casa e se fez dona
Dona de mim
Dos meus princípios
Tirou minha arrogância do poço escuro
Acendeu meu olhar superior
E o mundo ficou pequeno
É o início de uma tragédia anunciada.

Reinaldo Souza     24/10/12  



quarta-feira, 17 de abril de 2013




Pintando o sete

Pincéis se cruzam.
As cores se transformam.
Um belo sol, um belo mar.
Na areia um castelo
E no livro, estórias de príncipes e princesas.
Vejo no sítio o pica-pau amarelo.
E o meu pé de laranja lima.
Vou brincar de gangorra.
De bater lata e empinar arraia.
Não esqueço de subir no pé de manga.
E nem de apostar corrida.
E as Pedras atiradas no telhado?
Eu não confesso!
Nem diante da palmatória.
Sigo em frente.
Inventando brincadeiras.
Contando anedotas.
Fazendo diabruras.
Até o cansar da infância.



REINALDO SOUZA      08/10/2010

quarta-feira, 3 de abril de 2013




Emanuelle

Obra prima.
Divina.
Mistura de cores.
Desejos e amores.
Doce inspiração.
Devaneios, sonhos ou ilusão.
Jogos das impressões.
Sensações e emoções.
Atos da criação.
Pincéis, tintas e mãos.
Imagem da sedução.
Beleza, fascínio e tradição.
Pintura que mistura realidade e ficção.
            Descrita no papel, faço rima, métrica e composição.
Crio a melodia para dar vida a mais bela canção.

 Reinaldo Souza.

06/03/2010

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